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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pedra por pedra

Nesta velha casa, onde tudo estava enterrado, ela entrou.
Encontrou seus resquícios de infelicidade, suas dores, sua realidade.
Sob quatro paredes ela trancou-se e chorou.
Lembrando de dias que passaram porque ela os deixou passar.
Queria, ela, poder voltar.
Reconstruir.
Mas não desistir.
Secando incansavelmente suas velhas lágrimas decide construir uma nova casa.
Começa devagar, atrás do que antes não buscara, produzir aquilo que planejava.
E assim vai, transformar o que antes estava em sua mente, a casa que sonhava, e que agora, projetava.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Foi-se

O sol se foi em uma simples respiração.
Senti a chuva chegar vagarosamente, perplexa com o mundo que gira em mim.
Vivendo sem ver os dias passar, parece que tudo armazenou-se em um filme que não voltará, entretanto repetirar-se-á quantas vezes eu quiser.
E aqueles dias deixaram saudade, a qual atormenta-me agora, fazendo meu peito gritar para voltar àqueles momentos, os quais vão se dissolvendo junto com a água que escorre em meu rosto.
Eu queria acordar amanhã, e voltar para a vida que antes me completava.
Sei que acabou, e por isso dói ainda mais; foram dias inesquecíveis embaixo de sol, chuva, frio ou calor, mas foram vocês, colegas e amigos, que fizeram tudo se tornar tão especial quanto se tornou.
Obrigada a todos por tudo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Segundo passo

Fugirei para além das nuvens, afim de encontrar a paz profunda, por um dia apenas, sentir a pacificação do que poderia ser tudo isso.
Porém perco meu tempo, deixo que ele vá, e continue dominando meu corpo constantemente.
Então procuro focar em algo concreto, se não as nuvens, o ar, a liberdade.
Assim prossigo sem um caminho preciso, sem ver meus amigos, sem conseguir dizer: "esta sou eu!".
E o que mais surpreende-me por essa vida é que tenho tudo e quero mais, enquanto outros nada possuem, e querem menos, ou ainda valorizam mais seus tempos ou argumentos.
Com a visão, o olfato, o paladar, a audição e o toque do sentir, não há do que reclamar, apenas é preciso correr atrás.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Lá fora

Dentro daquela garrafa estão todas as mentiras que um dia foram verdades.
Está um mundo que se foi; poeiras, traças, tudo corroído com o tempo.
E levam, os dias, a vertigem do que já foi toda sua vida.
Então vai se recordando, e percebendo que nem tudo aquilo é inútil.
Quer voltar atrás e encontrar onde escondera seu segredo de vida,
agora, enterrada sob a terra que cobre o chão que um dia pisou.
História apagada e engarrafada, deixada para trás.
Não há como voltar, mas tudo ainda está por se escrever.

sábado, 19 de novembro de 2011

Volta

Olhando fixamente para o horizonte, o mundo ao redor dele foi-se indo.
Sob seu olhar fundo, as águas seguiam seu caminho, deixando para trás a terra por onde nunca mais passariam.
O dia estava amanhecendo e a dor que ele sentia não saberia explicar.
Estava só, entre o dia e a noite.
Queria ele voltar seus passos que o conduziram até ali, queria ele poder dizer duas palavras.
Tarde, está tarde.
Tudo se foi e o que resta é seu corpo abalado.
Percebe, a partir daquele momento, que animais eram mais sentimentais do que fora a sua vida inteira.
Ao tentar fugir enxerga a carne em decomposição, paralisado continua.
Sua mente gira e traz toda imagem de volta: a corrida, o medo, a violência, a coragem, o amor, a vida que se vai, o corpo que fica, a dor.
O que fizera para enfrentar tudo isso resume-se em nada.
Quem partiu não sente mais, ele que ficou arrepende-se de todo seu fingimento de vida.
A paz não há, suas mãos ardem para conseguir um segundo a mais.
Morre o pai, filho fica, no lugar de um tiro que merecia, de uma pessoa que era apenas aparência, vai-se a alma e a essência.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Enferrujado

Torna-se tudo mais escuro com a sua presença. Bloqueias meus pensamentos, meus movimentos, enquanto no fundo queria apenas correr para seus braços e perguntar: "como estás?".
Falta liberdade, que nunca transpões à mim, ao contrário, cobra-a  sem à ela se permitir.
Faz com que eu sinta a culpa de todas as coisas que não falamos, não ouvimos, não tocamos.
Só peço que estendas teu braço, preciso de um conforto só teu nesse momento.
Abra o caminho que nos bloqueia, tira-me esta culpa que me atormenta querendo fugir, desaparecer.
Espero você, por mais que muitas vezes já esperei, encontrando sempre o vazio entre paredes e por dentro o eco causado pelo oco que ouvia em meu peito.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Vício sem vício

Uma curiosidade imensa bagunça minha cabeça, ela vai aumentando ritmicamente, conforme uma melodia te toca suave e penetrantemente.
Poderia  eu descobrir sem arriscar?
É loucura, é desnecessário, mas perturba-me.
Quero.
Mas penso nas consequências, no amanhã, será que vale?
Penso, repenso, revejo, não entendo.
Compreender-se é uma coisa estranha, querer que outras pessoas o façam é perda de tempo.
Só imagino a sensação que queria sentir, não vejo fim.
Minha mente e meu corpo estão desligados, é um contra o outro em uma luta imbatível, descontrolada, enigmática, assustadora, viciante.
Desligarei minha mente e soltarei meu corpo, juntarei o que resta e formarei um novo presente.
Mas essa fórmula é inabalável e começa novamente a atordoar a minha mente.
Meu corpo volta ao encontro da minha alma, eles conversam e seguem em seus passos marcados.
Param, imobilazam-se e seguem à frente de uma nova ideia que fez esquecer todo o resto.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Encontre-se

Não compreendo ao certo este momento.
Existe um mundo me aguardando, mas somente sinto o vento.
Inspiro longamento contra o tempo, e o vazio que surge em meu peito torna-se um mero devaneio para o meu pretexto.
Seguro firme para não lembrar de outros tempos, e não percebo que ali está o meu maior desespero.
Não sei se é melhor soltar ou aguentar, portanto volto a respirar.
Ainda não é suficiente, parece que tudo está se aumentando enquanto eu permaneço pequena.
Vou diminuindo, indo, sem explicar mais nada.
Um barulho me alertou, e meu cérebro captou, minha mente voltou, e no presente estou.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Tudo é mágica

Finalmente libertei-me.
Abri aquela caixa velha e corroída do tempo que a foi modificando.
Tirei coisas desprezíveis e também insensíveis.
Obrigada, se você me ajudou de alguma forma.
Agora, como esperava por muito tempo, não me preocupo com o lugar que você ocupa ou a roupa que veste.
Somente tento seguir a minha vida, sem pensamentos longos e monótomos que ocupavam minha mente inquietamente.
Percebo que perdi tempo procurando por aquilo que estava claramente distante.
Agradeço por não ser tarde, e ainda poder perceber a lua brilhando no céu.
Sinto, claro, a falta de um olhar profundo.
Procuro, ainda, ver o céu se transformar em água.
Vejo que tudo depende de um passe de mágica.
Abracadabra.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Dois olhares

Estou a observar
seus gestos me deixam perplexamente paranóica, me alucinam, me encantam.
Fazem-me imaginar em sua vida, o que faria, onde chegaria.
Então continuo fixa no mesmo lugar, com os olhos ainda voltados para os seus movimentos.
Adimiro agora a força, a garra, o instinto.
Não pergunte-me quanto tempo durou, pois diria que foram horas, mas creio que foram apenas segundos.
Eu vi o mundo a partir dos seus olhos, e agora nada mais parece me impedir de viver.
Você continua paralítica, eu não consigo mudar muito disso também.
De repente voltei a mim, ao mundo que realmente enxergava, e você voa na minha direção, encontra meus olhos.
Rapidamente fecho-os e irrito-me com sua atitude. Mas o que mais eu podia esperar de você.
Não passa de uma mosca barulhenta e intrigante, atordoando a minha vida.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Metáfora de uma folha

Voam como folhas pensamentos que chegaram a ser certezas um dia, mas hoje são apenas espaços que perderam-se por aí.
Poderia procurá-los incansavelmente por todo esse mundo, mas creio que eles nunca voltarão da forma como vieram.
Gostaria de ver algumas coisas através de outros olhos, não consigo perceber uma vírgula do que era tudo aquilo.
Passou como um pássaro que perdi de vista, em um único e perplexo instante.
Lá se foi, abriu suas ásperas penas contra o vento e se foi.
Não voltará tão cedo, e se de repente decidir regredir não será como antes.
Foi-se mais uma folha, que acabou de cair lentamente da árvore, e com ela mais um pensamente de uma mente sem sentido.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cansei

Eu não me canso.
Não me canso de ouvir a mesma música repetidas vezes.
De acordar e querer voltar a dormir.
De viajar sem saber que dia voltar.
De ouvir e não saber o que falar.
De ir pra lá, e voltar pra cá.
De pensar em falas.
De programar e reclamar.
De descobrir, olhar, pesquisar.
De tentar.
De querer.
De ser.
De procurar a minha cor favorita.
De descobrir o cheiro que me alucina.
De olhar as mesmas fotografias.
De pensar que vai dar.
De provar roupas novas.
De ver que tudo pode mudar.
De revisar e errar.
De gritar e chorar.
De correr e pular.
De procurar e não achar.
De tentar rimar e não descobrir o encaixe perfeito do som das palavras.
De fazer você perder seu tempo lendo isso.
De desejar você pelo menos dez vezes ao dia.
De olhar, e simplesmente olhar.
De escrever sem parar.
De digitar sem pensar.
De deixar um texto sem fim.
De dizer que este pode ser um fim.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Grite

Um, dois, três, quatro...
Quantos passos, e eles seguem.
Enquanto destraio minha mente com perguntas e lembranças, sigo andando sem um destino concreto.
Só queria esvaziar aquilo que atormenta aqui dentro, é como se eu gritasse muito, sem parar, sem respirar, e ninguém me ouvisse, e depois que o fôlego não aguentasse mais, parasse, e enfim, respirasse, e portanto saciasse toda aquela vontade que permanecia enclausurado em meu peito.
Gritei.
Perdi o fôlego.
Voltei.
Liberdade, senti tudo melhor.
Pensamentos? Nem os ouvia mais. Se pensava ou não, não dava a devida importância.
Agora era a busca do ar, dos braços jogados ao vento, e da grama em minhas mãos.
Eu tinha tudo, e sentia isso.
Eu tinha tudo, e tudo nada era.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Entrelinhas

-Vamos apaziguar as coisas. Basta respirar fundo, esvaziar a mente e...
-Progredir?
-PAZ!

sábado, 28 de agosto de 2010

Ventos e tempos

Era uma vez, em que nada mais importava, somente o ar que ventava. Ele levava todas as impurezas, mas também consigo transportava muitas belezas. Dentre elas a mais pura era as menores partículas transparentes, aquelas que ninguém enxergava, e que todos ignoravam. O ar mesmo, que a carregava, mal a olhava, sempre pensava que não valia nada. Um dia então, ela partiu, para outros caminhos. Ninguém mais as sentiu, não passou muito tempo e alguém começou  a perceber a falta de alguma coisa, alguma coisa boa, que lhe levantava e dava alegria. Por mais pequenas, invisíveis e insensíveis que fossem as partículas, elas só estavam ali para levar um carinho ou dizer uma palavra, contudo não houve quem lhe desse atenção e assim elas partiram em vão, com um aperto no coração. Agora eles sentiam, mas agora já era tarde para sentir. Apenas vale lembrar que pequenos gestos, atos ou palavras mudam uma vida.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Segundo mudo

Explodi.
Com tudo aquilo que estava trancado em meu corpo.

Resisti.
Alguns passos me deixavam entre muros.

Insisti.
Não parei, apenas progredi.

Ouvi.
Foi onde eu mais aprendi.

Vi.
Observei cada detalhe.

Parei.
Recuperei algum tempo perdido.

Avancei.
Para onde tudo há de vir.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Mais uma vez

Eu olho para as estrelas, que se afastam cada vez mais de mim.
Olho para a lua, que muda cada vez mais rápido de fase.
Estou perdida em um céu imenso, ele está em constante transformação, e eu aqui, seguindo a mesma rotina.
Queria mudar tudo isso, fazer as estrelas e as fases da lua ganharem mais destaque, ficarem marcadas todos os dias em minhas memórias.
Memórias estas que se envolvem por nada realmente significativo.
Agora é hora de alcançar todas as estrelas possíveis, fazê-las brilharem e iluminarem meu rosto, antes que seja tarde.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Seja como for

Uma lágrima percorre meu rosto.
Ela veio de repente, ao lembrar-me de tempos que passaram ligeiramente.
Sinto tanta falta de momentos únicos. Sinto tanta falta daqueles que faziam parte desses, e mesmo que ainda estejam presentes, vejo que estão de uma forma diferente.
Não sei o que isso significa ao certo, é como se o tempo parasse por um minuto, este me trouxe de volta lembranças que já não recordava mais. Foi o tempo de ouvir a lágrima tocar o chão. Foi o suficiente para alcançar meu coração.
Está tudo avançando rapidamente, acordei e me deparei com o presente.
É um choque, tantos dias que passaram sem lições, sem derrotas ou vitórias, somente passaram, e eu fiquei parada numa rotina constante.
É triste, mas ainda há tempo, antes que mais uma lágrima me derrote, vou abrir os olhos molhados para este mundo veloz. Só percebo que o mundo continua girando, estando eu, parada ou avançando.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uma obra de arte

Minha vida é um arte.
Sim, é verdade. Ontem era mais realista, hoje já estou mais barroca. Antes me sentia muito naturalista, mas percebi que muito natural não era o bastante. Decidi esnobar e jogar tudo para o ar. Deixei as coisas abstraírem, veja o que você quiser, o que eu vejo com certeza é outra coisa, já ele vê outra ainda, e nunca chegaremos em um acordo, porque todos imaginamos  inúmeras coisas, e cada um possui o seu mundo interno diferente. Não digo que fiquei muito tempo no abstrato, logo já parti para o surreal, e eu lhe pergunto: quem nunca chegou aqui? Não demorou muito e tive que voltar para o realismo, chega de fantasias e ilusões, agora serei racional. Foi pensando assim que levei um choque. Entrei para o romantismo, da forma mais natural possível, sem querer nem perceber, apenas entrei. Ah, o romantismo. Aquele que te faz viajar para um mundo bonito, florido, cheiroso e colorido. Substituiu diretamente a minha razão e dominou meu coração, ou melhor, a minha emoção. Já não sei mais o que lhe falar, porque realmente não cabe mais a mim encaixar-me a período algum. Na verdade poderia dizer que estou futurista, um pouco além do hoje, mas isso não me deixa de ver o presente. Pois então, seja em qualquer fase que você esteja, o importante é saber usufruí-la da melhor maneira.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O que fazer?

"O que você quer ser, quando você crescer?"
Essa pergunta nos acompanha desde pequenos, quando mal sabíamos ao certo o que é excercer uma profissão, e nem mesmo conhecê-la realmente.
Tenho, particularmente, muitas dúvidas do que escolher. Quando penso estar decidida, converso com os profissionais e casa um passa uma visão diferente. É claro, depende muito da pessoa, e dos seus gostos, as matérias que se destacam mais, e assim por diante.
Mas quando somos medianos em todas matérias e não tem nenhuma que nos destacamos?
E quando sabemos do que gostamos, alcaçamos aquilo, e percebemos que não era bem tudo aquilo que queríamos?
Sinto um grande aperto no peito quando percebo que cada vez mais me aproximo do final do ensino médio, e principalmente com essa minha indecisão com a escolha de uma profissão. É realmente cedo para se escolher o que você, talvez, irá exercer pelo resto de sua vida. É uma escolha árdua para alguns, e muito simples para outros, porém todos temos medo de que não seja a escolha certa.
Então percebo que  devemos abrir nossa mente e olhar para todas profissões, conversar com várias pessoas da área e assim chegar a uma conclusão se é isso que queremos para si, como carreira.
Tudo tem seu tempo, e com certeza, se não for de primeira, alguma hora encontra-se aquela profissão mais adequada para se seguir.